Um Bagual Corcoveador / Me Vou Pra Vanera / De Rodeio em Rodeio

Um Bagual Corcoveador

Tentei levantar no freio
mas era tarde demais
eu vi uma poeira fina
formando nuvens para trás
berrando se foi a cerca
e cruzou pro lado de lá
parecia uma tormenta
cruzando em Maçambará

A tropa vinha estendida
pastando no corredor
eu empurrava culatra
e também fazia fiador
num bagual gordo e delgado
arisco e corcoveador
que se assustava da estaca
e da sombra do maneador

Enquanto existir cavalo, mais
brabo que um temporal
Eu vou andar gineteando
esse Rio Grande Bagual

É brabo a vida de um taura
que só trabalha de peão
nisso uma lebre dispara
debaixo de um macegão
meu pingo só deu um coice
escondendo a cara nas mãos
saiu sacudindo o toso
e cravou o focinho no chão

Tentei levantar no freio
mas era tarde demais
eu vi uma poeira fina
formando nuvens para trás
berrando se foi a cerca
e cruzou pro lado de lá
parecia uma tormenta
cruzando em Maçambará

Me Vou Pra Vanera

Ao som de um farrancho, chego de à cavalo
Apeio no embalo, xúcro de um gaiteiro
Campeio meus troco, rodeio a guaiáca
E o cabo da faca, reluz no candiêro
Já entro pachola e vou pagando a ficha
Uma china me espicha um olhar de soveú
Vou direito a copa, cutuco a algibeira
E tapeio a poeira, na aba do chapéu

Falquejo uma prosa, capricho no trote
Já armo meu bote, prá uma fandangueira
O gaiteiro bueno, de canha se enxarca
E eu feito um monarca, me vou pra vaneira

De Rodeio em Rodeio

Quando um matungo “veiaco”
Arrasta o toso comigo
Ali no mais eu me obrigo
Campear a sorte na espora
Cavalo é sempre um perigo
Na gineteada ou na doma
Deixo que a espora lhe coma
Que assim minha sorte melhora

Depois que eu saltar no lombo
Só quandi que quero eu apeio
Minha fama anda a cavalo
E vai de rodeio em rodeio

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